Burocracia na fronteira gera custo diário de R$ 1.500 para caminhoneiros

Desafios do Transporte Internacional de Cargas no Brasil
O transporte de cargas entre os países vizinhos do Brasil enfrenta um alto custo oculto, afetando a competitividade das empresas de logística. A falta de previsibilidade na liberação de cargas se tornou um dos principais problemas do setor, conforme discutido no 1º Encontro de Transporte Rodoviário Internacional de Cargas, promovido pela ANTT.
Danilo Guedes, vice-presidente da NTC & Logística, destacou que a paralisação de um caminhão na fronteira pode custar cerca de R$ 1.500 por dia. Ele enfatizou que a imprevisibilidade na liberação das cargas representa um grande desafio para o transporte internacional, resultando em custos ocultos significativos.
Queixas sobre a Lei do Motorista
Os empresários também expressaram insatisfação com a Lei do Motorista, que exige 11 horas de descanso ininterruptas. Essa legislação, que se aplica de forma diferente ao transporte internacional, gera longos períodos de espera para os controles aduaneiros, fora do controle das transportadoras.
As principais queixas incluem:
- Efeito cascata: A nova regra não permite mais que o tempo de espera na fronteira conte como parte do descanso, alterando a dinâmica anterior.
- Viagem mais longa: Após uma fiscalização demorada, o motorista deve estacionar e cumprir as 11 horas de descanso, o que pode atrasar ainda mais a entrega.
- Impacto no frete: O atraso na liberação das cargas pode aumentar o tempo de trânsito em até dois dias, afetando a eficiência do transporte.
José Aires Amaral Filho, da ANTT, mencionou que a movimentação de cargas está concentrada em três pontos de fronteira: Foz do Iguaçu, São Borja e Uruguaiana. Diante dos custos gerados pelo tempo de espera, os representantes do setor pedem intervenção governamental.
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A NTC solicitou à ANTT a atualização dos valores de frete para refletir as perdas financeiras enfrentadas pelas empresas de transporte.
Importância do Modal Rodoviário
Apesar das dificuldades, os empresários ressaltaram que o transporte rodoviário é fundamental para o comércio na América do Sul. Segundo a ANTT, as rodovias representam 65% da matriz de transporte do Brasil e são responsáveis por quase 50% das exportações para países parceiros.
Além disso, o setor rodoviário teve um crescimento de 12,3%, superando os demais modais de transporte.
Iniciativas para Desburocratização
Representantes da Receita Federal reconheceram os problemas causados pela burocracia nas fronteiras e afirmaram que estão implementando medidas para simplificar o processo. O projeto FastLine visa permitir que caminhões seguros sigam diretamente ao destino, sem paradas burocráticas, beneficiando transportadores classificados como OEA (Operador Econômico Autorizado).
O projeto piloto deve ser iniciado até dezembro, começando por Chuí, em colaboração com o Uruguai, que está alterando sua legislação. Além disso, o governo está desenvolvendo o sistema Argos, que integrará dados de câmeras de pedágio e sensores de GPS para otimizar o trânsito de cargas.
Fonte por: Poder 360
Autor(a):
Redação
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