Especialistas alertam que vício em apostas pode ter origens na infância

Mais de 1 milhão de adolescentes brasileiros de 14 a 17 anos apostaram pelo menos uma vez em 2025, revela levantamento sobre álcool e drogas.

11/07/2026 09:20

3 min

Ilustração de pessoa durante a realização de apostas esportivas
Ilustração de pessoa durante a realização de apostas esportivas

Vício em Apostas na Adolescência: Raízes e Consequências

Psicanalistas que trabalham com crianças, adolescentes e famílias afirmam que o vício em apostas na adolescência geralmente não se inicia nessa fase, mas sim tem origens que remontam aos primeiros anos de vida.

De acordo com o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas da Unifesp, mais de 1 milhão de adolescentes brasileiros entre 14 e 17 anos apostaram pelo menos uma vez no último ano, e 55,2% deles estão em situação de risco ou apresentam transtornos relacionados ao vício.

Impacto da Tecnologia no Desenvolvimento Infantil

A formação de um indivíduo começa muito antes da adolescência. Especialistas explicam que, durante a infância, a interação com os cuidadores é fundamental para que a criança aprenda a reconhecer suas emoções e a lidar com o desconforto. Nesse contexto, o uso excessivo de telas pode interferir de maneira negativa, algo que muitas famílias ainda não percebem.

Jailza Peguim, psicanalista da Sow Saúde Integral, destaca que o olhar da mãe é essencial para o desenvolvimento emocional do bebê. A tela, por outro lado, não oferece o mesmo acolhimento, resultando em uma falta de conexão afetiva que pode levar a problemas futuros.

Consequências do Vício em Apostas

A lacuna emocional criada na infância pode se manifestar na adolescência, onde o ambiente é propício para a exploração desse vazio. Diferente das redes sociais, as apostas oferecem uma recompensa imprevisível, o que intensifica a compulsão. Muitas vezes, as consequências desse comportamento não são imediatamente associadas às apostas pelas famílias.

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  • Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, 28% das crianças e adolescentes brasileiros começaram a usar a internet antes dos seis anos, quase o triplo do registrado em 2016.

Buscando Ajuda e Compreensão

Flávia Anjos, psicanalista e diretora vice-presidente da Sow Saúde Integral, ressalta que o sofrimento do adolescente geralmente vem acompanhado de vergonha, dívidas ocultas e vínculos rompidos, sendo que muitas famílias só percebem a gravidade do problema quando já estão profundamente envolvidas.

Os sintomas do vício são claros: adolescentes que verificam o celular de forma compulsiva, que sentem culpa após apostar e que têm dificuldades de concentração nos estudos. A tecnologia, nesse contexto, acaba sendo vista como a vilã.

Jailza explica que essa percepção é um mecanismo de defesa. Ao culpar a tecnologia, as famílias evitam confrontar as falhas na comunicação e nas relações afetivas. O uso excessivo de apostas muitas vezes é uma forma de automedicação emocional, e os pais também podem estar presos a esse ciclo.

Para as famílias que enfrentam esse desafio, a solução não é a culpa ou o controle rígido, mas sim a busca por ajuda especializada. Os mecanismos envolvidos são complexos e raramente se resolvem apenas com força de vontade. A escola também desempenha um papel importante, podendo identificar mudanças de comportamento e aproximar a família da situação.

Fonte por: CNN Brasil

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