Fifa registra prejuízo de US$ 240 milhões na venda dos direitos da Copa para a Ásia

Fuso horário da América do Norte e falta de concorrência levam entidade a aceitar descontos de até 80% de gigantes como China e Índia.

26/06/2026 07:30

5 min

Jogadores do Japão durante empate contra a Holanda, na primeira rodada do grupo F da Copa do Mundo
Jogadores do Japão durante empate contra a Holanda, na primeira ...

Desvalorização dos Direitos de Transmissão da Copa do Mundo de 2026 na Ásia

A quebra de expectativa financeira da FIFA no mercado asiático está relacionada ao horário das partidas e ao monopólio televisivo. Com a Copa do Mundo de 2026 sendo realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, a maioria dos jogos ocorrerá durante a madrugada na Ásia, o que compromete a alta audiência comercial. Sem o interesse de anunciantes para jogos às 3h da manhã e sem seleções locais relevantes, as emissoras asiáticas não aceitaram os valores inflacionados exigidos, resultando em uma desvalorização significativa e na perda de centenas de milhões de dólares em contratos fechados às pressas.

Desvalorização Histórica na China

A maior perda financeira da FIFA ocorreu na China, que registrou a maior desvalorização de direitos de transmissão deste ciclo. Inicialmente, a FIFA exigiu US$ 300 milhões para os direitos de transmissão, mas o China Media Group (CMG) recusou a proposta, ciente de que não havia concorrência no mercado interno. As negociações se arrastaram até pouco antes do torneio, e a FIFA, temendo um apagão televisivo em um país com 1,4 bilhão de habitantes, aceitou um acordo por apenas US$ 60 milhões.

Esse valor não se limita apenas à edição de 2026, mas também garante à China os direitos da Copa do Mundo Masculina de 2030 e das edições femininas de 2027 e 2031. A ausência da seleção chinesa no torneio atual foi um argumento utilizado para pressionar a FIFA a reduzir os preços, evidenciando a perda de poder de negociação da entidade.

Impacto nos Mercados Asiáticos

A desvalorização na China não foi um caso isolado. Outros países asiáticos também enfrentaram dificuldades nas negociações, resultando em uma arrecadação muito abaixo do esperado. A seguir, os detalhes dos três principais mercados que impactaram negativamente as finanças da FIFA na região:

1. Índia: Queda de US$ 100 milhões para US$ 20 milhões

Na Índia, a situação foi agravada por fusões corporativas e questões regulatórias. A FIFA esperava arrecadar pelo menos US$ 100 milhões, mas a fusão entre Reliance e Disney resultou na criação da JioStar, que ofereceu apenas US$ 20 milhões. A ausência de concorrência e a proibição de anúncios de casas de apostas, além da preferência pelo críquete, reduziram ainda mais o valor.

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2. Tailândia: Impasse Governamental de 1,3 Bilhão de Bahts

A Tailândia enfrentou um rigoroso controle orçamentário. A agência reguladora de telecomunicações (NBTC) tinha um teto de 600 milhões de bahts, enquanto a FIFA exigia 1,3 bilhão de bahts (cerca de US$ 39,9 milhões). As autoridades locais questionaram o uso de dinheiro público em um evento que não traria retorno publicitário significativo.

3. Bangladesh: Acordo de Última Hora por 56 Milhões de Rúpias

Para garantir que a nação apaixonada por futebol não ficasse sem transmissão, o acordo em Bangladesh foi fechado por 56 milhões de rúpias (aproximadamente US$ 6,7 milhões). Essa transação ocorreu após o colapso de acordos anteriores, forçando a FIFA a aceitar um valor muito abaixo do esperado.

Consequências Financeiras para a FIFA

Esses reveses na Ásia comprometem uma das principais promessas de gestão de Gianni Infantino. Com a expansão do torneio de 32 para 48 seleções e o aumento de 64 para 104 partidas, a expectativa era alcançar uma receita de televisão de US$ 3,9 bilhões globalmente. No entanto, essa estratégia ignorou a dinâmica de consumo asiático, que foi responsável por quase metade do engajamento digital durante a Copa do Mundo de 2022 no Catar.

A mudança do evento para a América do Norte, sem ajustes nos horários das partidas, resultou na perda de um mercado consumidor significativo. A resistência das emissoras asiáticas é um aviso de que a expansão do calendário esportivo tem limites comerciais.

Dúvidas Frequentes sobre os Direitos de Transmissão da Copa na Ásia

Qual o principal motivo da desvalorização dos direitos da Copa de 2026 na Ásia?

O principal fator foi o fuso horário da América do Norte, que faz com que as partidas ocorram durante a madrugada nos países asiáticos, afastando o público e reduzindo o interesse das marcas em publicidade.

Quanto a China pagou para transmitir a Copa do Mundo de 2026?

A CCTV adquiriu os direitos por US$ 60 milhões, representando uma queda de 80% em relação aos US$ 300 milhões inicialmente exigidos pela FIFA, incluindo também os direitos das Copas de 2030 e das edições femininas de 2027 e 2031.

Por que a Índia ofereceu um valor tão baixo pelas transmissões?

A falta de concorrência após fusões de grandes conglomerados de mídia, a ausência da seleção indiana na competição e a proibição de anúncios de apostas esportivas impactaram negativamente o valor oferecido.

A recusa das emissoras asiáticas em pagar os altos valores pelos direitos de transmissão da Copa de 2026 sinaliza um ponto de inflexão na economia do futebol. Este episódio revela que o crescimento das receitas de transmissão não é ilimitado e que a imposição de horários desfavoráveis a mercados populosos tem um custo elevado. A situação exige que a FIFA repense suas futuras negociações e respeite os limites do mercado televisivo.

Fonte por: Jovem Pan

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