STF aumenta responsabilidade das big techs em relação ao conteúdo

Corte aprova tese unânime que exige remoção de conteúdos ilegais em 60 dias e responsabiliza plataformas por danos de terceiros

18/06/2026 09:20

3 min

STF aumenta responsabilidade das big techs em relação ao conteúdo
(Imagem de reprodução da internet).

STF Define Novas Regras para Plataformas Digitais

Na quarta-feira (17), o Supremo Tribunal Federal (STF) finalizou a definição das novas regras de responsabilização para plataformas digitais em relação a conteúdos publicados por terceiros. A aprovação da tese final ocorreu de forma unânime, após divergências na semana anterior.

As plataformas digitais terão um prazo de 60 dias, a partir da publicação do julgamento, para se adequar à remoção de conteúdos ilícitos. Embora as empresas do setor tenham solicitado um prazo de até seis meses, o pedido foi negado, e a decisão não admite recursos.

Alterações para as Big Techs

A nova tese exige que as grandes plataformas criem canais específicos para receber e processar pedidos de remoção de publicações. Além disso, as empresas que operam no Brasil devem manter uma sede e um representante legal no país, com a capacidade de fornecer informações e responder a determinações judiciais.

As plataformas poderão ser responsabilizadas por danos decorrentes de publicações ilícitas de terceiros, exceto se comprovada uma “dúvida razoável” sobre a ilegalidade do conteúdo e se houver uma análise interna rigorosa. Conteúdos que devem ser removidos imediatamente incluem atos antidemocráticos, terrorismo, incitação ao suicídio, racismo, crimes contra mulheres, pornografia infantil e crimes graves contra crianças e adolescentes.

Desafios Legais e o Papel do Congresso

O julgamento destacou a falta de uma legislação aprovada pelo Congresso Nacional para regular a atuação das big techs, levando o STF a assumir um papel central na definição das regras do ambiente digital. Especialistas apontam que a situação ainda está longe de ser resolvida, com uma troca intensa de iniciativas entre o Supremo e o Executivo, enquanto o Legislativo permanece inativo.

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O Supremo já havia solicitado ao legislador a criação de uma legislação específica, considerando a decisão como uma solução provisória. Contudo, até o momento, nenhuma legislação foi aprovada, resultando em uma dependência crescente do Executivo para a regulamentação.

Regulamentação e Impacto Eleitoral

Um decreto recente regulamentou o Marco Civil da Internet, conferindo à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e à Advocacia-Geral da União (AGU) um papel central na análise de práticas abusivas nas redes sociais. Embora existam semelhanças entre a decisão do STF e o decreto, há diferenças significativas, como a atribuição de responsabilidades à AGU para notificar e remover publicações consideradas fraudulentas.

Analistas destacam que o prazo de 60 dias estabelecido pelo STF coincide com o início do período de propaganda eleitoral, o que pode ter implicações significativas para o monitoramento de conteúdos nas plataformas durante esse período crítico.

Consequências para Pequenas Empresas e Inovação

Especialistas alertam que a falta de uma modulação por porte de empresa pode sobrecarregar desproporcionalmente companhias de diferentes tamanhos. Desde grandes empresas de tecnologia até startups, todas enfrentarão custos elevados para se adequar às novas regras.

É fundamental que o desenho regulatório permita a inovação no Brasil, uma vez que regular não significa necessariamente restringir a liberdade e a inovação. O debate sobre inteligência artificial também está em andamento no Congresso, com um projeto de lei inspirado em modelos europeus que ainda enfrenta críticas e transformações.

Fonte por: CNN Brasil

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