Sigrid Undset, vencedora do Nobel, em processo de canonização para se tornar santa

Processo de Canonização de Sigrid Undset
Sigrid Undset foi indicada para o processo de canonização, buscando se tornar uma santa da Igreja Católica. O anúncio foi feito pelo bispo Fredrik Hansen de Oslo durante uma missa na ilha de Selja, na Noruega. Undset, uma das escritoras mais renomadas da Escandinávia, é conhecida por sua oposição ao nazismo e por ter sido laureada com o Prêmio Nobel, além de ter vivido uma vida pública repleta de polêmicas.
Vida e Obra de Sigrid Undset
Nascida em 20 de maio de 1882, em Kalundborg, Dinamarca, Sigrid Undset foi uma romancista norueguesa que conquistou o Prêmio Nobel de Literatura em 1928. Sua obra mais famosa, a trilogia “Kristin Lavransdatter”, publicada entre 1920 e 1922, é considerada uma obra-prima da literatura norueguesa.
Filha de pais ateus, Undset e suas irmãs foram criadas na Igreja Luterana, seguindo as tradições norueguesas da época. Em 1924, aos 42 anos, ela se converteu ao catolicismo, o que gerou grande polêmica em um país predominantemente luterano. Sua conversão foi acompanhada de uma defesa pública da fé católica, culminando em sua atuação como leiga dominicana.
Polêmicas e Vida Pessoal
Embora tenha sido indicada para a canonização, Sigrid Undset não se encaixa no estereótipo tradicional de santidade católica. Sua vida pública e suas escolhas, como fumar e beber, além de sua personalidade forte, geraram controvérsias. Durante sua estadia em Roma, teve um relacionamento com o pintor Anders Castus Svarstad, com quem se casou e teve três filhos, incluindo um com necessidades especiais.
Apesar de não ter nascido católica, sua trajetória de conversão e compromisso com a Igreja é vista como um aspecto positivo em seu processo de canonização. O bispo Hansen destacou sua defesa do catolicismo, sua oposição ao nazismo, seu trabalho durante a guerra e seu cuidado com os necessitados como elementos de sua santidade.
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Atuação Durante a Segunda Guerra Mundial
Durante a Segunda Guerra Mundial, Sigrid Undset fugiu para os Estados Unidos, onde se tornou uma voz de resistência, denunciando a devastação causada pela guerra e o governo norueguês no exílio. Nesse período, ela escreveu livros infantis, como “Tempos Felizes na Noruega”, a pedido da então primeira-dama Eleanor Roosevelt, que incentivou autores exilados a compartilhar histórias sobre suas culturas.
Undset retornou à Noruega em 1945, após o fim da guerra, e continuou sua contribuição literária e social.
Reconhecimento e Homenagens
Além de receber o Prêmio Nobel da Literatura, Sigrid Undset foi homenageada pelo governo norueguês com a Grã-Cruz da Ordem de Santo Olavo em 1947. Após sua morte em 1949, foram publicadas uma biografia de Santa Catarina de Siena, escrita por ela, e uma coletânea de seus artigos e discursos da época da guerra.
O processo de canonização de Undset começará na diocese onde faleceu, em Lillehammer, e seguirá para o Dicastério para as Causas dos Santos, no Vaticano. Para ser canonizada, é necessário que a Igreja reconheça virtudes heroicas e que ocorram milagres associados à sua intercessão.
Se o processo for bem-sucedido, Sigrid Undset se tornará a segunda mulher santa da Noruega, após Santa Sunniva, e a segunda laureada com um Nobel, depois de Santa Madre Teresa de Calcutá.
Fonte por: Jovem Pan
Autor(a):
Redação
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